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| Grafiteiro Zezão/Foto: Divulgação |
As artes urbanas estampadas na cidade de São Paulo, fazem da metrópole acalentada por muitos como “Selva de Pedras”, um lugar com criatividade, cor e inovação, mesmo que muitas vezes passem despercebidas aos olhos de alguns paulistanos, mas elas existem e realmente fazem a diferença.
Alguns desses desenhos estão em lugares peculiares, geralmente esquecidos e ignorados pelos moradores como fachadas de prédios pequenos e antigos, muros de propriedades abandonadas entre outros. Esses artistas fazem desses lugares, locais mais alegres, onde várias vezes o coloridos das tintas se contrasta com a sujeira de um mendigo, ou como o abandono dos proprietários. Mas, também existem artes em locais muito frequentados, como em grandes prédios ou viadutos no centro da cidade. O colorido dessas artes oferece uma “quebra” na rotina estressante enfrentada pelos paulistanos.
Alguns artistas vão além
José Augusto Amaro Capela é conhecido como Zezão. O grafiteiro rouba a cena não só em São Paulo, mas no Brasil e no mundo todo, por sua inovação na arte do Grafitti. Zezão escolheu lugares ainda mais surpreendentes para manifestar sua arte, como bueiros e canais de águas pluviais.
A ideia de pintar em locais que não existe nenhuma beleza e que causam repúdio nas pessoas pode parecer um pouco insana, mas o artista afirma que é uma boa escolha. “Ninguém conhece, nem percebe esses lugares, mas com o grafitti os transformo. Antes mesmo de pinta-los eu já vejo beleza”.
Com tons azuis Zezão traz claridade e suavidade a esses recintos, onde a beleza é pouco imaginável. O artista já fez trabalho em: Galeria Subterrânea da Vila Madalena, Galeria do Rio Tietê, Córrego Cabo Sul de baixo e Galeria do lixo.
As artes feitas por Zezão podem ser reconhecidas facilmente, pois existem duas características comuns em seus desenhos: a cor azul e as formas abstratas. Zezão afirma que teve que “se virar” com pouca tinta, e o azul lhe agradava, já que em lugares escuros, onde gosta de pintar, a cor promove uma bela claridade.
Desde 1995, o grafiteiro mantém esse perfil em suas produções, mas também renova, o que o torna cada vez mais conhecido. Na época, Zé não tinha dinheiro para comprar tintas, então pedia ajuda aos amigos, que doavam latas quase sempre vazias. “A grana era curta, então os amigos ajudavam. Às vezes chegava a juntar muitas latas de spray, mas que somadas, eram muito pouco, então eu pintava com a que mais tinha, e utilizava o restante para esfumaçar os desenhos”.
A conservação
A escolha de lugares inimagináveis feita por Zezão é única e incomparável, mas devido à falta de luz, quantidade de lixo, e água frequentemente subindo e descendo sobre as tintas, os desenhos se desgastam com mais facilidade, o que exige manutenção do artista. “Sempre que posso volto nos locais onde pintei, mas às vezes não é possível. O aumento de lixo ou de água, são os principais empecilhos, então procuro outro lugar”, explica.
A prefeitura de São Paulo, não assume nenhum compromisso para fazer ou patrocinar a manutenção do grafitti e por escolher espaços abandonados, Zé não pode fazer nenhuma exigência á ninguém.
Hoje em dia, o grafiteiro sobrevive da arte, mas afirma que batalhou muito e teve grande incentivo de amigos, para chegar onde está. Zezão ia grafitar sozinho, e gostava de registrar suas marcas, então, com o passar do tempo, a fotografia chegou à vida do grafiteiro, e hoje em dia, é considerado um artista completo. “Amo o que eu faço e já passei muitos “perrengues” para chegar até aqui. Tudo o que sou, é graças aos grafitti. Modestamente, minha arte não deixa somente a cidade mais bonita. Minha arte me fez uma pessoa melhor”, conta.
Sobre a arte de grafitar
Tachado como “coisa de vândalo”, o grafitti está aos poucos caindo no gosto das pessoas, mas ainda é relacionado com a pichação, que é crime e causa poluição visual. Algumas empresas e instituições já estão contratando os serviços dos grafiteiros para colorir os muros de suas propriedades. O grafitti também pode ser utilizado em campanhas publicitárias.

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