A diferença de renda entre profissionais como engenheiros e pedreiros reduziu significativamente nos últimos anos.
No passado, as pessoas identificavam o engenheiro como o detentor de um dos cargos com o salário mais alto no ramo da construção civil, já o pedreiro, o possuidor de um dos salários mais baixos.
Mas atualmente essa situação mudou, e se em 1995 o salário de um arquiteto era 10,5 vezes o do pedreiro, hoje, é 6,6 vezes.
Segundo a pesquisa De Volta ao País do Futuro, realizada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e divulgada em março desse ano, a desigualdade no Brasil permanece caindo há 11 anos seguidos. O estudo mostra que, de janeiro de 2011 a janeiro de 2012, o índice de Gini, que mede a desigualdade numa escala de 0 a 1, caiu 2,1%, passando de 0,53 para 0,51 e que o crescimento da renda familiar per capita média foi de 2,7% nos 12 meses estudados.Mas atualmente essa situação mudou, e se em 1995 o salário de um arquiteto era 10,5 vezes o do pedreiro, hoje, é 6,6 vezes.
De acordo com o economista Flávio Estaiano, especialista em indicadores e pesquisas econômicas, a questão da desigualdade entre salários no Brasil é antiga e se deve principalmente ao uso da tecnologia aplicada diretamente na produção de bens e serviços. “No cenário atual, com o mercado da construção aquecido, os salários dos pedreiros estão aumentando pela necessidade de utilização de mão de obra capacitada e a dos engenheiros permanece constante. Por isso essa diminuição dos valores dos salários entre os profissionais”, diz.
Segundo o especialista, antigamente um pedreiro precisava apenas evoluir na profissão, hoje, no entanto, as empreiteiras necessitam de pedreiros e mestres de obras mais capacitados, tanto para a realização em nível de velocidade, quanto para a diminuição do desperdício nas construções. Não basta mais aprender com os antigos, o profissional pedreiro precisa se capacitar e estudar novas tecnologias de construção, garantindo maiores ganhos e valorização do profissional no mercado. No caso dos engenheiros, a questão é um pouco diferente.
Antigamente eram poucas as pessoas que podiam frequentar uma faculdade e se tornar um engenheiro, por isso, o profissional era muito valorizado e a distância entre os seus salários e dos pedreiros era gigantesca. Com as recentes políticas do governo nos últimos dez anos, como a intensificação dos financiamentos educacionais com juros muito baixos e o aparecimento do PROUNI, aumentou o número de estudantes e recém formados em engenharia, por exemplo. Com um número maior de profissionais no mercado, gradativamente os salários tendem a diminuir. Isso não significa que um engenheiro ganhará mal no futuro, mas sim, que ele terá que estudar mais em um mercado competitivo, fazendo uma pós graduação para garantir salários mais altos, ou seja, deverá se especializar cada vez mais.
O pedreiro Pedro santos, 32 anos, morador do município de Diadema, grande São Paulo, vive muito bem com sua família agora, ao contrário da época em que chegou à capital na década de 90. Como muitos brasileiros, partiu do nordeste para São Paulo em busca de uma vida melhor, mas no início foi muito difícil. “Quando cheguei aqui logo aprendi a profissão de pedreiro, mas ganhava muito pouco. Cheguei a passar por muitas dificuldades com minha família, mas hoje não falta trabalho, pego muitas obras durante a semana e aos finais de semana. Sou muito solicitado graças a Deus”, conta.
Este aumento de salários também se deve ao aquecimento da economia, principalmente no setor da construção civil. O governo intensificou o incentivo a construção com reduções de impostos em materiais de construção, com o programa minha casa minha vida, com a possibilidade de utilização pelos trabalhadores do fundo de garantia para fins de reformas, construções e aquisição de imóveis e pelo aumento do crédito, que de modo geral, aqueceu a economia, fazendo com que o consumo também aumentasse. “Isso foi necessário para que as empresas produzissem mais e, consequentemente, contratassem mais mão de obra. Outro ponto importante foi a abertura de postos de trabalho nos setores de serviços como os de supermenrcados e lojas de departamentos que tiveram uma expansão considerável nos últimos anos. A tendência é que a economia continue crescendo com a contratação de mão de obra cada vez mais capacitada, por isso a importância das políticas educacionais de inserção”, relata Estaiano.
A diferença de renda não diminuiu apenas entre pedreiros e engenheiros, o salário de outros profissionais também aumentou. Um garçom, por exemplo, ganha hoje um salário quase 20% superior ao de 15 anos atrás, descontada a inflação. Dessa forma, o país está caminhando para um dia se tornar plenamente desenvolvido, porém, é importante salientar que por muito tempo o governo brasileiro deixou de investir em políticas industriais de geração de renda e emprego como a educação profissional e os incentivos a produção e ao consumo nacional.
Segundo Estaiano, um país desenvolvido não é um país que simplesmente cresce, mas é um país que cresce com uma maior distribuição de renda. “Essa maior renda é adquirida a partir de um número maior de pessoas com grau de instrução maior, com um nível de produção de bens e serviços que atenda a população, com empregos, produtos mais baratos, com políticas públicas que garantam bem estar social como segurança, entre outras”, revela. De fato, o Brasil está mudando, mas ainda existem muitas coisas que precisam ser feitas.

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